quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Jesus vai ao encontro e acolhe


Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Ainda sob a dor da tragédia dos três prédios que desabaram no centro de nossa cidade, matando muitas pessoas, unido aos familiares, socorristas e atendentes, queremos continuar caminhando lutando pela paz, segurança, solidariedade, fraternidade e esperança nessa nossa grande cidade. Somos chamados a ir ao encontro das pessoas que sofrem, que buscam o Senhor neste pouco tempo de vida que temos, e viver em contínua vida de oração.

A liturgia do quinto domingo do Tempo Comum nos chama a atenção sobre a rapidez de nossa vida (Jó), a necessidade da evangelização e a presença de Jesus na Galileia, que nos apresenta Cristo como aquele que cura, reza e anuncia.

Jesus, saindo da Sinagoga com seus discípulos e indo à casa de Simão e André, demonstra o movimento do mestre itinerante, que vai onde estão as pessoas que necessitam. E ali se encontra com a sogra de Pedro que está acamada. A esse passo de Jesus corresponde o passo da multidão que acorre para encontrar n’Ele a cura e a vida. Mas, mesmo assim, após um tempo de oração, Ele continuará sua missão para outros lugares, a fim de anunciar o Reino.

É interessante a oração, de madrugada e em lugar deserto. O "segredo" de Jesus é uma conversa íntima com o Pai, o que lhe permite fazer da sua vida um dom para os outros.

A sogra de Simão estava doente, com febre. Contaram-lhe sobre ela. Jesus tem um coração que ouve: Jesus se aproxima. Vai em direção à dor, e não a evita, nenhum medo, e pega-a e a levanta pela mão. A mão na mão é a força transmitida para quem está cansado; a confiança de toda criança para com o pai, desejo para se aquecer, de aconchego.

Jesus levantou a mulher, colocou-a na posição vertical, agora com condições de ir e de fazer. É o sinal da nova vida, que Ele veio trazer; veio nos ressuscitar de nossas mortes e nos fazer novos. E ela começou a servir. É a consequência de quem experimenta a presença de Cristo – colocar-se a serviço dos irmãos e irmãs. É um sério exame de consciência para nós que reclamamos da falta de agentes de pastoral. Não será porque falta essa experiência de Deus presente na vida?

A cura do corpo tem como finalidade a cura do coração, o serviço de amor para toda a vida. A mão que te levanta reacende a chama do amor e diz: cura os outros e a tua vida ficará curada.

Vamos para outro lugar! Jesus ainda está à procura de terras de dores, busca os limites do mal para lhes fazer cessar. Em outros lugares, para levantar outras vidas, levantar criaturas, apertar as mãos. É Nosso Senhor que precisa curar a vida; Ele que ama recordar de mim; aquele que "deve" ir em busca das minhas febres. Entretanto, cabe a mim cultivar a vida nova, ressuscitada, na coragem do serviço.

Depois de acolher os que O procuravam, Jesus se coloca em oração para continuar a missão. A figura do mestre itinerante com os seus discípulos deve nos mover para também nós fazermos o mesmo neste tempo de discípulos-missionários! Ir ao encontro, acolher os que se aproximam, colocar-se em oração diante do Senhor e continuar a viagem de evangelizador por outros lugares.

Neste pouco tempo de vida que temos (meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear, diz Jó), somos chamados a pregar com entusiasmo o Evangelho como uma necessidade (1Cor), pois “ai de mim se eu não pregar o Evangelho!”

Que também nós tenhamos a coragem de ir às “galileias” de hoje com o mesmo ânimo do Senhor, pois há muitos que estão esperando esse anúncio e outros procurando quem lhes possa dar a vida em plenitude.

É a nossa missão episcopal também. Nesse sentido de escuta, de oração e audição da vontade de Deus, na próxima semana acolheremos mais de cem irmãos bispos brasileiros, de todos os recantos de nossa amada Pátria, fiel à intuição de meu amado Predecessor, o Cardeal Eugenio de Araújo Sales, para o tradicional Encontro de Formação e Atualização dos Bispos, no Centro de Estudos do Sumaré, quando continuaremos a reflexão iniciado no ano passado acerca dos cinquenta anos do início do Concílio Ecumênico Vaticano II que celebraremos neste ano.

Que todos possam, com as suas orações, acompanhar-nos para que a nossa audição, a nossa escuta e a nossa prece, galgada nos ensinamentos conciliares, nos ajudem, como mestres da fé, a dar testemunho aos nossos presbíteros e ao povo santo de Deus, que, como Jesus, os pastores vão ao encontro, escutam, tocam, rezam e curam em nome do Senhor Jesus!

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