sábado, 14 de janeiro de 2012

Onde mora o mestre

por  Dom   José   Alberto  Moura
Arcebispo de Montes Claros-MG

O chamado de Samuel representou a missão que Deus tinha para ele. Sua presteza em responder sim fez dele uma pessoa disponível para executar a vontade do Senhor (Cf. 1 Samuel 3, 3-19). Foi uma experiência inédita e de grande ensinamento para todos os que estão atentos a executar a vontade de Deus. Uns parecem não ter muita boa vontade para realizar o projeto de Deus na vida. Dizem-se crentes, mas sua fé não os leva a obedecer às instruções do Criador. Outros, ainda que se manifestem com boa vontade, não se comprometem com o bem da comunidade. Sua manifestação de fé é desligada da missão e da promoção de solidariedade em relação à comunidade religiosa.

Hoje vivemos num pluralismo tal que muitos se decepcionam com o modo de pessoas batizadas viverem sua religião. Preferem dizer-se cristãos, mas sem participar de alguma comunidade religiosa. Não seria isso motivado por falta de um testemunho de vida ética, coerente com sua crença? Às vezes falta a experiência pessoal do encontro profundo com Cristo!

João Batista assumiu bem sua missão de preparar as pessoas para seguirem a Cristo: “Eis o Cordeiro de Deus!” (João 1, 36). Ele não foi líder religioso a ponto de fundar uma religião para ter adeptos seguidores de si mesmo. A liderança religiosa por algum tipo de interesse pessoal trai a missão de ajudar as pessoas a seguirem a Deus conforme o Filho. Não as estimula a participarem da Igreja ou de sua comunidade para servir a humanidade com o conteúdo vitalizador de sua convivência na fraternidade e ser luz para os outros seguirem a Cristo.

Os discípulos de João foram ver onde morava Jesus: “Rabi (o que quer dizer: Mestre), onde moras?” (João 1, 38). O próprio Jesus o mostrou. Os discípulos André e Simão seguiram o Mestre! E o fizeram durante toda a vida de Jesus na terra. Foram além. Deram a vida pelo Filho de Deus, espalhando para todos a natureza de sua pessoa e de seus ensinamentos.

O Mestre mora não simplesmente num templo de alvenaria. Quem O deixa morar no templo de sua pessoa se torna pessoa de ideal, de compromisso com o bem da família, com a promoção da vida e da dignidade humana, abraçando causas de interesse de toda a sociedade, como a política de real serviço à sociedade.

Jesus mora onde há abertura ao amor, à ternura, à justiça, ao serviço, aos desvalidos, aos não considerados na inclusão humana e social. Ele sempre esteve ao lado dos mais fragilizados e continua estar, através de quem o imita, e segue seu caminho: “Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito” (1 Coríntios 12)! Mais: ajuda os outros a fazerem o mesmo. Isto se deu com João Batista. Todos somos chamados a imitar este profeta de tamanha grandeza!

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