domingo, 3 de julho de 2011

O Espírito Santo


É uma atitude de profunda adoração e humildade que nos aproximamos do mistério do Espírito Santo. Ele é Deus, com o Pai e o Filho, e Deus é um mistério inefável na sua vida intratrinitária. Jesus Cristo, o filho de Deus feito homem, projeta luz sobre este mistério na medida em que o Pai nos quis revelá-lo para a nossa salvação. Um dia, face a face, na visão beatífica, esperamos penetrar ainda mais neste mistério divino, que é inesgotável e infinito. Entre as três pessoas divinas, muitas vezes tem-se dito que o Espírito Santo é o menos conhecido. O caráter inefável de Deus parece destacar-se nele. O Filho se torna visível em nossa carne e ele diz: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30). "Quem me viu, viu o pai" (Jo 14,9). Ela é a imagem do Pai invisível. Mas o Espírito Santo é como um sopro.
O vento, que soprou forte no dia de Pentecostes, foi reconhecido pelo autor de Atos dos Apóstolos como o sinal da vinda do Espírito Santo, a ser dado aos apóstolos. Mas ele também é como fogo, pois desceu sobre os apóstolos em línguas de fogo. Ele é como a água que purifica e dá vida: Jesus assim fala dele quando diz: "Se alguém tem sede, que venha a mim e que beba aquele que crê em mim! Conforme a palavra da escritura: De seu seio jorrarão rios de águia viva" (Jo 7,37-38), e o evangelista explica: "Ele falava do Espírito que deviam receber aqueles que tinham crido nele; pois não havia ainda Espírito, porque Jesus ainda não fora glorificado" (Jo 7,39). Também no diálogo com a Samaritana Jesus fala de "uma fonte de água jorrando para a vida eterna" (Jo 4,14). Ele é também como a pomba, forma na qual apareceu no batismo de Jesus no Jordão, O Catecismo da Igreja Católica dá ainda outros símbolos dele como unção e selo.
A fé católica, no símbolo chamado Niceno-constantinopolitano, professa o Espírito Santo como aquele que é Senhor e dá a ida, e acrescenta que ele procede do Pai e do Filho, com o Pai e o Filho é adorado e glorificado e falou pelos profetas. No canto do Veni Creator a Igreja o chama de "criador", "paráclito", "dom de Deus", "fonte viva", "fogo", "caridade", "unção espiritual", "prometido do Pai", e outros atributos.
[...]
Jesus nos revela que o Espírito Santo é a terceira pessoa. Jesus revela o Pai e revela a si mesmo como Filho eterno deste Pai, mas também revela o Espírito Santo como terceira pessoa distinta, que ele e o Pai enviarão aos que crerem.
A Igreja ensina ainda que o Espírito Santo atua também fora da Igreja e que podemos encontrar sementes de bem e de verdade, graças a ele, em culturas ainda não evangelizadas.
Este Espírito da verdade é o Amor que liga Pai e Filho, desde toda a eternidade. Por isso, ele é o Espírito da unidade e da diversidade e assim agirá na Igreja. Ele é enviado no dia de Pentecostes e derramado sobre a Igreja nascente e permanecerá com ela até o fim dos tempos. Portanto, ele é Senhor, com o Pai e o Filho.
Mas a Igreja o confessa também como Aquele que dá a vida. Na Sagrada Escritura, percebemos como o Espírito Santo está presente sempre quando surge uma vida nova. [...]
Na Igreja, o Espírito Santo age nos sacramentos e por meio deles produz nova vida, vida de filhos de Deus, naqueles que creem e recebem os sacramentos. Pelos sacramentos ele sustenta e restaura continuamente a nova vida em nós. Assim, pela ação do Espírito Santo o batismo realiza um novo nascimento, que nos faz filhos de Deus e nos incorpora no Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Nossa filiação divina é, assim, obra do Espírito Santo. Na Eucaristia, o celebrante o invoca sobre as oferendas para que se mudem no Corpo e no Sangue de Cristo, Na nossa ressurreição final e na transformação do universo em "novo céu e nova terra", ele também agirá, com o Pai e o Filho.
[...]
O Espírito Santo é também aquele que "falou pelos profetas". Com a expressão "profetas", a Igreja entende aqui "todos aqueles que o Espírito Santo inspirou para o anúncio de viva voz e para redação dos livros sagrados, tanto do Antigo como do Novo Testamento." (Cat. da Igreja Cat., 243).
[...]
O Espírito Santo é quem diversifica a Igreja, tornando-a a uma unidade na diversidade, segundo o modelo trinitário. Como diz o apóstolo São Paulo: "Há diversidade de dons, mas o Espírito Santo é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos" (1Cor 12, 4-6).
O Espírito Santo guiará a Igreja na verdade e para toda a verdade. Dará coragem aos cristãos para darem testemunho de Jesus Cristo até o martírio. Impulsionará a Igreja para as missões até os confins do mundo, tornando-se o agente principal da atividade missionária e evangelizadora da Igreja, como ele o é ainda hoje e sempre. Através dos tempos, santificará e renovará constantemente a sua Igreja. O Concílio Vaticano II diz: "Pela força do Evangelho ele rejuvenesce a Igreja, renova-a perpetuamente e leva-a à perfeita união com seu Esposo. Pois o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor Jesus: 'Vem'" (LG. 4).
Mas o Espírito Santo em ainda uma relação muito especial com cada pessoa que crê em Cristo e foi batizada, ou seja, com cada um de nós, que somos discípulos de Cristo.
O Concílio Vaticano II reafirma a doutrina tradicional, quando declara: "O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como num templo (cf. 1Cor 3,16; 6,19). Neles ora e dá testemunho de que são filhos adotivos (cf. Gl 4,6; Rm 8,15-16.26)" (LG, 4). O apóstolo Paulo diz: "Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito pautemos também a nossa conduta" (Gl 5,25). Ele concede seus dons e carismas a quem ele quer e para o bem comum" (1Cor 12,7). São Paulo enumera alguns destes carismas como a sabedoria, a ciência, o poder de curar, o poder dos milagres, a profecia, o discernimento dos espíritos, a variedade de línguas, a interpretação de línguas, e acrescenta: "Mas é o único e mesmo Espírito que isso tudo realiza, distribuindo a cada um os seus dons, conforme lhe apraz" (1Cor 12,11). Falando, porém, de uma hierarquia entre os carismas para a utilidade comum, o apóstolo acrescenta que o carisma mais importante é a caridade. Sem ela, todos os demais carismas nada valem. Todos conhecemos seu hino à caridade.
Mas há também carismas ligados aos ministérios, razão pela qual o Santo Padre em sua catequese semanal de 27 de fevereiro de 1991 afirma: "Não se deve contrapor estes carismas aos ministérios de caráter hierárquico e, em geral, aos 'ofícios' que também foram estabelecidos em vista de unidade, do bom funcionamento e da beleza da Igreja se encontram sob a ação dos carismas, como se deduz das palavras de São Paulo nas suas cartas a Timóteo: 'Não descuides do carisma que há em ti pela imposição das minhas mãos' (2Tm 1,6). Portanto - continua o Santo Padre - existe um carisma de Pedro, existem carismas dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos; existe um carisma concedido a quem está chamado a ocupar um cargo eclesiástico, um ministério. Trata-se de descobrir, reconhecer e aceitar estes carismas, mas sem nenhuma presunção."
Contudo. é preciso que renovemos sempre de novo em nós mesmos o dom do Espírito Santo, assim como Paulo recomenda a Timóteo. O Espírito nos foi dado como dom no batismo, na crisma, na ordenação diaconal, presbiteral e episcopal. O Espírito continua nos sendo dado constantemente em tantas outras formas e ações da vida espiritual cotidiana. É ele que cria e sustenta nossa vida espiritual. Ele ora em nós ao Pai, com gemidos inenarráveis. Clama em nós: "Abbá, Pai". Diz o apóstolo Paulo: "Eu vos declaro que ninguém, falando sob a ação do Espírito de Deus, pode dizer: 'Jesus, seja anátema', assim ninguém pode diz 'Jesus é Senhor', a não ser não Espírito Santo" (1Cor 12,3).
Portanto, é preciso pedi sempre de novo o dom do Espírito Santo. Aspirar por ele. Abir seu coração disponível a ele. Deixar-se invadir pelo Espírito Santo, para que entre em nós como em seu templo, para nos santificar e transformar. Santificar é função própria do Espírito Santo. Ele é o Espírito Santificador, porque é o Amor na Santíssima Trindade. Santidade significa a presença do Espírito de Deus em nós, que nos torna capazes de experimentar o amor de Deus por nós e, em resposta, de amar a Deus como a um Pai e amar-nos uns aos outros como irmãos. É o Espírito Santo que nos santifica, transforma e unge espiritualmente. Se queremos ser apóstolos que pregam Cristo com nova unção, numa nova evangelização, é preciso renovar em nós esta unção do Espírito. Mas é necessário pedir perseverantemente esta renovação da unção, de joelhos, em silenciosa e intensa prece.
Não são propriamente nossas obras que nos santificam e salvam, mas é a graça de Deus; é o dom do Espírito Santo. Nossas boas obras são necessárias para manifestar nosso agir coerente com o que somos, isto é, filhos de Deus. Elas são fruto da santificação realizada em nós pelo Espírito Santo e dão testemunho de que somos realmente filhos de Deus. Por isso, cabe-nos abrir livremente a porta de nosso coração e pedir ao Espírito Santo que venha e nos encha com sua presença transformadora e santificadora, pois ele é dado na oração, como podemos ver nos dias que precederam Pentecostes, quando os discípulos, juntamente com Maria, a mãe de Jesus, rezavam reunidos na sala do Cenáculo, esperando a vinda do Espírito Santo prometido. Ele veio durante a oração.

HUMMES, Cláudio Cardeal - Sempre discípulos de Cristo: retiro espiritual do Papa e da Cúria Romana - São Paulo: Paulus, 2002. (53-57p) 

http://blog.cancaonova.com/emanuel/files/2011/02/espirito-santo-imagem.jpg

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! Coloque aqui o seu comentário. Deixe sua sugestão, elogio ou reclamação.
Obrigado por fazer este blog melhorar a cada dia!