segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mesmo Espírito


Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

Jesus, enviado pelo Pai com a ação do Espírito Santo, não veio fundar uma religião a mais do tipo puramente humano ou super-religião. Aliás, ele faz o contrário da religião humana. Esta é a tentativa de fazer o humano se unir ao divino. Jesus é o divino que veio ao humano. Veio sim fundar uma nação santa, com nova mentalidade e novo modo de convivência, para todos se unirem no amor e construir uma sociedade realmente justa. Aliás, Deus não nos vai avaliar pelos atos de religiosidade e sim pela vivência do amor. Se quisermos caminhar sozinhos, cada um com seu barquinho para atravessar o oceano da vida, pode arriscar-se a não atingir seu objetivo realizador. Jesus não quer construir sozinho o grande navio. Ele vai nos guiando e nos ensinando, através da história de todos os tempos,  a desenvolver esse veículo na conjunção do esforço de todos para sermos solidários, ajudando, uns aos outros, a colocar as próprias peças em união e no entrelaçamento dos elos. Assim, fazemos a grande nave funcionar. Ele é como o piloto. Garante que seu navio não pode ser afundado. A força do motor é a do Espírito Santo. Se nos entendermos com a vida do amor, somos capazes de formar a família humana, para nela, construirmos a identidade de cada pessoa, que se irmana às outras, com a ternura, a compaixão, a doação de si, o perdão, o reerguimento após as quedas, a força dos mais fortes ajudando os menos favorecidos...
Jesus convidou seus discípulos, dando-lhes poder, força e missão para iniciarem um processo novo de caminhada humana. Formou um grupo para formar o grande navio com meios eficazes para seu desenvolvimento. Trata-se do núcleo fundamental de sua família. Deu-lhe a missão de convidar a todos para essa construção maravilhosa da história, com a perspectiva do Reino de amor, justiça e solidariedade. Não deixou faltar, com esse grupo, meios ou instrumentos de grande força de propulsão: sua Palavra, sua autoridade para servir, seus dons especiais como os sacramentos, oração, penitência, prática das virtudes humanas e sobrenaturais... Tal grupo familiar não é finalidade. É meio de ajuda à humanidade, indicando a todos um caminho com instrumentais especiais e eficientes para a promoção da vida, da dignidade humana, do respeito à obra criada por Deus. Quem dá força a cada um é o Espírito Santo. Ele não é prisioneiro de nenhuma pessoa, estrutura e nenhum grupo. Age em todos, com efeitos diferenciados, para tornar cada um apto a se unir direta ou indiretamente ao instrumental por Jesus deixado com seus discípulos. Quem corresponder à sua ação coopera com o todo da humanidade e com a construção do grande navio da caminhada humana. Aliás, vemos na história tantos ungidos pelo Espírito Santo, que fizeram e fazem um bem enorme à humanidade, com os valores humanos, éticos, morais, sociais, religiosos e comunitários.
Nosso seguimento a Jesus necessariamente nos faz ver a ação do Espírito Santo no ser dos outros, na Igreja e na sociedade. Precisamos nos abrir para enxergar essa ação e valorizarmos sua presença no semelhante. Vêmo-lo em nós mesmos. Por isso, vamos mostrá-lo também aos demais. Na mútua compreensão reforçamos os laços de nossa humanidade, de nossa fé, de nosso amor. Este é abrangente e pode se manifestar mais tênue ou fortemente, conforme nossos laços humanos, religiosos e sociais. Os valores  que o Espírito Santo inocula em nós precisam ser desenvolvidos para o bem comum. Nossa Igreja deve explicitá-los, a ponto de serem realmente de ajuda à promoção da vida. Não podemos nos fechar como tendo tudo e de modo absoluto, não querendo enxergar a ação do mesmo Espírito com os valores dos outros.
FONTE: CNBB

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