sábado, 18 de dezembro de 2010

Vem nos salvar

Ele está por vir...

Dom Orani João Tempesta,  Arcebispo do Rio de Janeiro-RJ

O novo ano litúrgico, iniciado com o tempo do Advento, é a grande oportunidade em que a Igreja nos convoca para o cultivo de uma espiritualidade vigilante e atenta às necessidades de nosso tempo. É uma feliz e esperançosa oportunidade de revermos a nossa caminhada e recuperarmos o nosso vigor para o seguimento de Jesus Cristo.

O tempo do Advento, que estamos findando é, sem dúvida, uma oportunidade de recordarmos e atualizarmos nossa feliz gratidão ao Senhor pela obra de salvação, manifestada na Encarnação do Verbo. Por meio do Cristo que vem, somos convocados a ir além. Ninguém vive apenas de expectativas ou de sonhos. Vivemos, também, da concretização dos mesmos.
A Santa Igreja ensina e testemunha que a vinda de Cristo é o ponto central de toda a história, o evento verdadeiramente único para cada pessoa, para a humanidade e, sobretudo, para a Igreja. Esta realidade, mais que uma simples recordação, é tomada de consciência de uma realidade em fase de realização. A fertilidade da fé brota por todos os lados, os corações são purificados e a terra se renova.
A espiritualidade litúrgica deste tempo nos envia para esta nova realidade: aquele que é o esperado de todos os povos e nações vem. Se por um lado o coração humano pode se decepcionar com as falsas promessas de felicidade e presença de um mundo globalizado, marcado por uma cultura fundada num capitalismo selvagem que privilegia o ter em detrimento do ser, com a festa do Advento somos convocados a nos preparar para acolher a vida que ganha novos sentidos e novas cores. Agora é o momento de trabalhar por uma sociedade que recupera, em Cristo, seu valor e dignidade. Com o Advento declaramos o mais profundo sentido da vida humana: sua íntima relação com Deus, com os irmãos e todas as coisas criadas, a saber, toda a natureza.
O Advento é o tempo de celebrar o dom gratuito de Deus, que se dá a nós, homens e mulheres, ao mesmo tempo possibilidade de aprofundarmos nosso compromisso missionário por meio da renúncia, da purificação interior, da conversão comunitária e das estruturas sociais, bem como do fortalecimento da esperança escatológica, de que tudo será submetido a Cristo, quando Ele, Cristo, for “tudo em todos”.
Com Maria, somos convidados a esperar e acolher aquele que veio para salvar e que virá para reunir todos os seus amados e assim, na humildade de quem aprendeu do mestre o que é servir, contribuir para uma nova cultura firmada e fundada na solidariedade e no amor, ágape, da mais profunda doação.
Só é capaz de esperar algo ou alguém quem entendeu o que é a alegria da chegada. O Advento nos transforma assim: arranca-nos da solidão, da timidez e da frustração e nos lança para uma nova realidade: o encontro, a expectativa, a esperança e por fim a celebração alegre da realização daquilo que antes se esperou.
Maria é, sem dúvida alguma, modelo de atitude espiritual deste tempo. É mulher que escuta a Palavra do Senhor, e dessa atitude de escuta brota a fidelidade do seguimento; é mulher de oração, e da oração nasce a esperança que mantém vivo o coração; é mulher que testemunha a feliz certeza de que quem entrega seus passos ao Senhor não fica decepcionado. Como afirma o apóstolo Paulo: “Eu sei em quem eu coloquei a minha esperança.”
Com Maria, vamos acender nossas velas interiores e deixar que o brilho da fé possa iluminar quem nas trevas se perdeu. Com Maria, vamos neste período do Advento renovar nossa esperança naquele que vem. Deixar que as luzes exteriores sejam reflexo do homem interior que se deixa iluminar pelo Cristo-presença, que se fará presente em nosso meio no grande e glorioso dia do Natal.
Que a exemplo de Maria, a Mãe de Deus, cresça sempre em nós a mais profunda veneração pelo mistério do Verbo encarnado, pelo amor ardente ao próximo, pelo entusiasmado anúncio do Evangelho, pelo serviço da caridade, pela ativa e criativa imitação do Mestre.
Sejamos sinais de Cristo espalhando as suas marcas até que esteja impresso em cada coração humano a feliz realidade de estar face a face com Cristo, Mestre e Senhor.
Neste tempo favorável do Advento, que estamos findando, vamos nos lançar nos braços do Salvador, tomar posse deste amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado e viver intensamente a esperança da volta gloriosa e derradeira de nosso Senhor Jesus Cristo.
Que nossos corações estejam em sintonia com a liturgia de nossa fé, que canta sem cessar: “Senhor, vem salvar teu povo”, vem Senhor, Maranathá!  Assim reza a Igreja em todos os lugares e em todo o tempo, sem cessar sem vacilar. Vem, Senhor Jesus!

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