terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A manjedoura e a cruz.


por Dom Aldo Di Cillo Pagotto, Arcebispo da Paraíba

"[...]Deus se fez humano na encarnação do Filho de Deus na natureza humana."
As Igrejas cristãs tentam recuperar o significado do Natal do Senhor Jesus tratando-se do núcleo da fé cristã: Deus se faz humano na encarnação do Filho de Deus na natureza humana. O amor divino permeia a vida e os relacionamentos humanos! O que aconteceu? Muitos cristãos perderam a noção da fé cristã e dos valores sagrados do Cristianismo. De fato, na sociedade de consumo a vida gira em torno dos valores materiais e não em torno dos valores transcendentes, sobrenaturais.
Muitos cristãos foram apenas batizados. Sequer foram evangelizados a partir do núcleo familiar. Muitas famílias afastaram-se da Igreja ou essa passou a representar uma instituição distante da vida do dia a dia familiar. O espírito mercantilista domina a sociedade. Apropria-se das celebrações cristãs, outrora identificadas com os valores transcendentes.
A quem cabe resgatar o sentido genuíno do Natal cristão que se esvazia a cada época, cedendo aos interesses comerciais? Einstein nos leva a refletir. Ele se envolvia na contemplação do mistério divino, afirmando que “a coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério, fonte de toda a arte e ciências verdadeiras”.
Inspirando-nos em Einstein, deixemo-nos penetrar pela misteriosa presença do Senhor da Luz. Amor divino, transcendente, que assume as nossas condições humanas, limitadas e fragilizadas, com a finalidade de nos elevar da efemeridade à eternidade, do limitado ao pleno. O mistério do Amor infinito revela-se na contingência da nossa existência.
As Escrituras ilustram o mistério da plenitude do sentido da vida finita, delimitada pela realidade mensurável do tempo e do espaço. O único lugar que Jesus encontrou para nascer foi uma manjedoura, um cocho de animais. “Não havia lugar para ele”. Abrindo os seus braços nesse lugar lúgubre traz vida para toda a humanidade. Ao culminar sua missão, Jesus abre os braços na cruz, instrumento de suplício. Jesus confirma a oblação de sua vida. Doa-a em plenitude. Supera tudo o que a morte destrói.
"Jesus [...] Nasce, vive e morre por nós, por nossa salvação.

Jesus eterniza a vida em plenitude. Nasce, vive e morre por nós, por nossa salvação. A coragem de amar é atitude heróica de quem considera a fragilidade do ser humano e o reveste da força do amor, não obstante suas fraquezas e contradições. Mesmo fraco e contraditório, os seres humanos possuem suas potencialidades construtivas. Eis o sentido do Natal! Jesus vem ao encontro dos pusilânimes, fracos, indecisos. Vem para pecadores. Vem, também, para os que se julgam fortes, arrogantes, presunçosos. Veio para converter e salvar a todos.

Um comentário:

  1. Fantástica essa reflexão sobre o Natal, traçar um paralelo entre a manjedoura e a cruz, nos faz refletir sobr o que estamos fazendo de nossas vidas, Parabéns.
    Seliane

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